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Sábado, 28 de Agosto de 2010
os verdadeiros motivos para a "reorganização" escolar

Comecei por partilhar este artigo apenas no Twitter e Facebook, contudo a lucidez e a forma como parece desconstruir todo o discurso político tornam obrigatória a partilha aqui no blogue.

O Paulo Guinote voltou de férias como já não o via lia há muito tempo! Genial!

Vamos Lá Pensar Nisto De Outra Maneira

"Falo do encerramento das escolas, da abertura dos Caixotes Escolares e da criação dos mega-agrupamentos. Pensemos antes assim: será que encerrar escolas e mega-agrupar permite mesmo muitas poupanças?

Eu acho que permite algumas, mas de modo nenhum algo que seja relevante em termos de défice, em especial se tomarmos em linha de conta os custos acrescidos com os transportes escolares, eventualmente com a alimentação por via da Acção Social Escolar e diversos outros etc.

Porque não pensamos antes assim: estas medidas são necessárias para que, por via do investimento nas obras em Centros Escolares e Escolas Secundárias, se continuem a absorver fundos comunitários do QREN, empregar transitoria e precariamente uns milhares de trabalhadores, impedindo o descalabro nos índices de desemprego por um par de anos (até 2013, no máximo) e assim tornar a Educação como que uma espécie de pequena almofada que atenua o maior estrondo da crise em que vivemos.

No fundo, o que está em causa é a necessidade de, numa adulteração minimalista dokeynesianismo do New Dealmanter o investimento público no sector das obras (que já sabemos por via das autoestradas cavaquistas e expos guterristas e estádios do bloco central ser um investimento de consumo quase imediato e sem dividendos para a economia futura) e assim satisfazer algumas clientelas no sector empresarial e dar emprego pouco qualificado a alguma gente. Resumindo: o modelo jardinesco de desenvolvimento.

  • Na verdade não são as pequenas escolas que necessitam de fechar por razões económicas directas: são os Centros Escolares que necessitam ser construídos para aplicar verbas comunitárias e gerar indirectamente emprego e receita fiscal.
  • Na verdade não são os mega-agrupamentos que permitem grandes poupanças na gestão: é a Parque Escolar que assim alarga a sua área de influência sobre mais umas dezenas de estabelecimentos de ensino, entrando no mercado das EB2/3.

Realmente a nossa ingenuidade tem sido enorme e o ME tem razão: fechar escolas não é uma medida economicista e talvez até seja uma medida que, na sua análise mais simples, esteja longe de ser economicamente muito vantajosa. Construir e abrir novas escolas de grandes dimensões é que é uma medida com interesse económico.

E de certa forma, as Novas Oportunidades também têm uma lógica semelhante, ao gastarem grande parte das suas verbas numa rede administrativa e burocrática de certificação que cria algum emprego de consumo rápido até 2013.

E neste caso a Educação é o motor da Economia não pela qualificação e formação da população, mas porque permite a continuação de uma estratégia de IBM (Introdução aos Baldes de Massa) para muitos dos ex-alunos.

Em 2013, esgotadas as verbas do QREN, logo se vê, o que interessa é manter isto com uma aparência de acção… porque as eleições, o mais tardar, são nessa altura… e o pior é o que virá a seguir…"

 

São professores e cidadãos destes e com esta fibra que fazem falta a Portugal!



publicado por mrconguito às 11:36
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