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o sítio do conguito

deambulações pela net, palavras, imagens, sons, coisas estranhas... enfim, eu.

Hoje, quando vinha para a escola, durante as minhas audições de podcasts (re)descobri este poema de Reinaldo Ferreira através do Estúdio Raposa.

As palavras não me são estranhas, provavelmente serão também a letra de uma conhecida música. O poema de tão simples até parece uma cantilena infantil, vai-nos embalando até que no final, com uma revelação atroz, nos deixa maravilhados e chocados.

Ao ouvir, esta história pensei na guerra colonial, contudo penso que não terá sido escrito por essa altura. Apesar de tudo como ele se mantém actual...

Deixo-vos a obrigatória citação:
Menina dos olhos tristes
O que tanto a faz chorar?
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.

Senhora de olhos cansados,
Por que a fatiga o tear?
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.

Vamos senhor pensativo,
Olhe o cachimbo a apagar.
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.

Anda bem triste um amigo,
Uma carta o fez chorar.
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.

A Lua, que é viajante,
É que nos pode informar.
- O soldadinho já volta
Do outro lado do mar.

O soldadinho já volta
Está mesmo a chegar.
Vem numa caixa de pinho.
Desta vez o soldadinho
Nunca mais se faz ao mar.